Comportamento, comunicação e relacionamento: a solução não está no comprimido

O ser humano deu um salto em tecnologia, conquistou planetas, descobriu a cura de doenças, a informática, a velocidade em comunicação, porém, ainda não descobriu o mais importante: o solo da psique. De acordo com Carla Viegas, mestre em Comunicação Humana, esse território continua sendo pouco explorado e em função disso, o sofrimento das pessoas se encontra aumentado. “Pouco sabemos discursar sobre nossas necessidades, experiências ou frustrações. Não percebemos a brevidade da existência, a importância das relações interpessoais, a grandiosidade do diálogo”.

O movimento do ser humano é em direção as solicitações de uma sociedade interessada no TER, deixando de lado o SER. Ele parte em direção das solicitações externas, buscando desesperadamente atender a demanda de uma sociedade que se encontra doente. Tem que negar constantemente seus verdadeiros sentimentos para sobreviver e ser incluído em grupos sociais, cria uma máscara social que exclui partes essenciais de seu Eu. Não enxerga que quanto mais caminha em direção aos interesses da sociedade, mais se autoabandona e aumenta a sua dor. “Precisa de muitos comprimidos para resolver seus problemas. Com isso, aumentam a ingestão de comprimidos e o número de farmácias para aliviar a dor que não é tratada, apenas anestesiada e sabotada. Mais longe está da conquista do seu próprio território, de sua tranquilidade e paz”, acrescenta Viegas.

A vida gosta de quem se posiciona, e este com certeza é um caminho difícil. Tem pessoas que passam a vida sem se conhecer, repetindo padrões de comportamento porque repetir é mais fácil do que ser autor da própria vida. “Muitas vezes temos comportamentos dos quais nos arrependemos, falamos palavras às quais não nos reconhecemos. Como eu pude dizer isso? Nunca mais vou falar assim... E uma semana depois repetimos a mesma fala, o mesmo comportamento, o mesmo erro, o mesmo sofrimento, o mesmo comprimido. Aprendemos que a comunicação é dinâmica, é a ação de partilhar, de interagir socialmente”, afirma Carla.

A palavra é um condomínio, ou seja, um domínio em comum.  Um mesmo território, onde parte é de quem fala, e parte é de quem escuta. Nesse território comum, muitas trocas são feitas.

Quando falamos com alguém, falamos com o seu sistema límbico, onde os registros das emoções, boas ou ruins, realizadas por esse sistema, determinarão “o rumo da prosa”. Dependendo de como eu falo, serão os meus resultados. Por isso, Carla acredita que devemos conhecer um pouco mais sobre comportamento e comunicação.

“Muitas vezes falamos algo sem a intenção de magoar alguém, mesmo assim, vemos que a pessoa em questão fica aborrecida. Onde caíram as palavras por mim proferidas? Qual o efeito dessas palavras sobre as emoções de quem me escuta? Qual será o resultado dessa conversa?”

A formatação de nossa psique é determinada, em parte, por nossas experiências emocionais, bem como, pela fala das pessoas com quem convivemos desde criança. Com o passar dos anos, a estruturação emocional de um sujeito passa pelo discurso de muitas pessoas. “O que falam de mim? Quem sou eu?”

Relacionando com o tema comunicação e comportamento, vamos voltar a infância e procurar a resposta de algumas atitudes. “Consideremos que a nossa vida seja uma casa. Essa casa tem um primeiro andar e um porão. Neste porão estão as minhas experiências de infância e adolescência, que determinam o meu comportamento no primeiro andar da casa, ou seja, minha vida adulta. Geralmente o que fazemos é repetir as experiências aprendidas no porão, no primeiro andar da casa, achando que dará certo. Falha nossa!”, enfatiza Viegas.

Tem quem tenha aprendido a resolver seus problemas quando criança fazendo birra, falando alto, discutindo ou, talvez, ficando calado, retraído ou com medo de se posicionar. Passamos então a usar esse comportamento em comunicação com nossos colegas e pessoas com quem convivemos. Por vezes, enfrentamos sérios problemas nos relacionamentos por insistir em um padrão de comunicação que era da mãe, do pai, da avó. “E eu pergunto: Por que não tentar um novo padrão de comunicação? Por que não ser autêntico em sua fala? Seja ousado, deixe pra lá comportamentos que lhe trazem prejuízos e não são seus, faça a opção da mudança. Busque qual o seu perfil em comunicação. Se é silencioso e rancoroso, pois assim seu pai “resolvia” os problemas em casa, e foi esse o comportamento aprendido, ouse, mude para um perfil mais comunicativo. Faça um deslocamento desse lugar, força! Trabalhe e saia já daí! Verá que os seus resultados em comunicação serão milagrosos”, orienta Carla Viegas.

Sabemos que temos responsabilidade sobre o que nos acontece, e se há algo que realmente podemos atuar, de maneira completa, é sobre o nosso próprio comportamento.

“A vida é um cenário montado por nós. Nós escolhemos o namorado, a faculdade a cursar, a profissão, os amigos e, de repente, nos pegamos reclamando de tudo isso, do cenário. Opa!! Mas quem montou o cenário? Por que reclamar do que escolhemos? Lembre-se, cada um é responsável pelo cenário que monta. A palavra coragem significa agir com o coração. Então, não reprima o que você gostaria de ser: uma pessoa com maior habilidade de relacionamento e comunicação, tanto na vida pessoal como profissional. Saia do porão e seja genuíno, verdadeiro. Chega de usar padrões que nunca foram seus. Acredite, a escolha é sua. Fará assim uma desconstrução, para construir um novo comportamento, sem receios e medos.”

Carla Viegas acredita que o autoconhecimento serve para lançar luz sobre qualidades e defeitos, de modo que possamos assumi-los com suas respectivas consequências. “Vamos aprimorar as qualidades e corrigir os defeitos. Quem nega seus defeitos, reforça-os. Quem os admite, dá o primeiro passo para vencê-los. Pegue para você apenas o que lhe pertence, e sua vida se tornará bem mais leve”, ressalta.

“Ame o seu próximo, como a si mesmo”. Essas palavras há tanto tempo ditas e tão pouco entendidas e praticadas. Como vai o amor a si mesmo? Só se dá o que se tem. Que amor posso dar, se não tenho amor por mim? Pouco atendo minhas necessidades, não as reconheço, nem sei quem sou, e sigo usando uma máscara social.

O amor é a essência do ser humano. Somos gerados em um momento de intensa entrega entre dois seres humanos e a vida, gerada nesse momento, carrega em si a genética do Amor, implícito nesse ato. “Toda vez que amo meu próximo e a mim mesmo, vou ao encontro dessa essência que deu início a tudo, o Amor. Mesmo pessoas que nascem do conflito, em verdade renascem no momento que são amadas por alguém. Essa é a essência da vida, o amor que cura toda dor”, afirma Carla.

“Nessa breve caminhada da vida, temos apenas dois momentos que são certos: o momento de agora e o momento da nossa morte. Já diz a prece...roga por nós agora e na hora da nossa morte. Por que a prece não diz: roga por nós semana que vem, mês que vem, ano que vem? Porque esse tempo nós não temos, só temos o agora. Você pode afirmar que estará aqui semana que vem? Partindo desse questionamento, faço outro. Você já pensou em sua qualidade de morte?”, questiona Carla.

Geralmente pensamos na qualidade de vida, está certo. Porém, a morte é outro momento certo, e como nos preparamos para ela? Qual o discurso interno que faremos quando ela chegar?

“Por trabalhar com pacientes com doenças degenerativas já ouvi muitos desses discursos, o que me fez pensar na qualidade de morte. Quando o fim se aproxima a fala geralmente é de arrependimento, de não ter feito diferente. Ah...se eu tivesse investido mais na família, no perdão, na vida, nos relacionamentos, no recomeçar...ah se eu tivesse feito diferente. Então, para não chegarmos com esse discurso na hora da morte, só temos um momento para investir diferente, é o Agora. O que nos pertence é o momento presente, não temos outro. E quando chegar ao fim dessa caminhada, poderemos dizer aliviados: fiz do Agora o meu melhor. E a paz se fará presente, sem temores, sem arrependimentos. Missão cumprida, posso partir. Ave Maria, roga por nós Agora e nos faça autor de nossa própria história. Amém! Vá ao encontro de sua essência e faça mais feliz seu Ano Novo.”, finaliza Carla Viegas.


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